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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Mostra 20 Anos de Takashi Miike

"A mostra apresenta um panorama da produção cinematográfica deste cultuado diretor japonês ao longo de suas duas décadas de carreira, quando dirigiu mais de 80 filmes. A seleção de parte das obras deste prolífico realizador pretende expor todas as diferentes facetas de sua carreira, desde filmes de baixíssimo orçamento, realizados em bitolas baratas em vídeo e lançados apenas para o homevideo, até produções em 35mm de grande estrutura, lançadas em grandes festivais internacionais."

A mostra vai ocorrer em São Paulo e Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil de cada cidade.

No Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo:

Informações
 Data:17 a 28 de agosto Classificação:

 Horário:Quarta a domingo, conforme programação
 Local:Cinema (70 lugares) | Rua Álvares Penteado, 112 - Centro
 Bilheteria:Terça a domingo, das 9h às 21h | Telefones: (11) 3113-3651/52
 Ingressos:R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia entrada)

Acessos :
• Estações São Bento e Sé do Metrô, praças do Patriarca e da Sé.
• As ruas João Brícola e Quinze de Novembro, próximas ao CCBB, estão liberadas para trânsito de táxis e carros particulares, para embarque e desembarque.


E no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro:

Informações
 Data:30 de agosto a 18 de setembroClassificação:
 Horário:Conforme Programação
 Local:Cinema I | Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
 Bilheteria:Terça a domingo, das 9h às 21h | Telefone: (21) 3808-2020
 Ingressos:Cinepasse R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia-entrada)









quinta-feira, 25 de março de 2010

Akira Kurosawa



Nesta última terça-feira, 23 de Março, comemoramos 100 anos de Akira Kurosawa. Mesmo quem não o conhece já ouviu vagamente seu nome, ou pelo menos ouviu falar de filmes que nasceram por suas mãos, como Os Sete Samurais, Kagemusha, Sanjuro, Rashomon e Ran.
São Paulo e Rio de Janeiro realizaram nesta semana mostras e homenagens a Kurosawa que ainda podem ser aproveitadas, como a Mostra Kurosawa na Cinemateca (Largo Senador Raul Cardoso, 207) de graça até dia 28. No Rio o Instituto Moreira Salles promove a revisao da obra de Kurosawa e no dia 26 um debate as 19h com participação de Walter Salles, seu fã.
Uma vez quando criança ouvi o comentário de minha mãe referindo-se à Kurosawa como um gênio que parecia fazer de seus filmes uma pintura. De fato Kurosawa desejava ser pintor e começou a trabalhar na empresa de cinema Toho para financiar seu sonho. Graças a ele o Ocidente pôde descobrir o cinema japonês, embora no Japão seja considerado um pouco ocidental demais. Citar um exemplo é fácil; a partir de os Sete Samurais veio Sete Homens e Um Destino e de Rashomon veio As Quatro Confissoes de Martin Ritt.
Por mais que eu não seja extrema conhecedora de seus filmes, tenho o privilégio de ter acompanhado muitos e a audácia de sugerir alguns. Sonhos (1990), por exemplo, marcou minha infância. Eu não poderia compreender as histórias como hoje, mas eu compreendia trechos da cultura japonesa que muitos ocidentais ainda não são capazes de fazê-lo.
Este, na verdade era um post para sugerir Madadayo, de 1993, uma das obras de cunho testamental da fase final de sua carreira. Madadayo mostra de uma forma leve e as vezes cheia de humor a relação professor-aluno, muito acentuada no Japão. É a história real de Hyakken Uchida, professor que após 30 anos lecionando alemão se aposenta e torna-se escritor. Todos os anos seus alunos realizavam o "Ma-ah-da-kai", uma festa em seu aniversário. A escrita ideográfica de Ma-ah-da-kai foi retirada da brincadeira de esconde-esconde.

"No Japão as crianças se escondem e o que se põe a procurar pergunta cantarolando “ma-ah-da-kai” ou “mou i-i-kai (agora já posso?) ao que os demais respondem também melodiosamente “madadayo” (ainda não) ou, se já estão escondidos, “mou i-i-yo” (agora já pode). Todos os anos no Ma-ah-da-kai os discípulos lhe preparam um grande copo de cerveja que o mestre bebe com prazer, ao final lhes cantando, como as crianças, “madadayo”, o que quer dizer naquele contexto, estou bem de saúde e a morte ainda está longe, não pode vir me buscar". (KANEOYA, Iochihiko)



Ainda que na época eu só tenha captado alguns lances do filme, como a bomba na casa, a tristeza pelo sumiço do gato e o lago em forma de donut para que as carpas do jardim nadassem infinitamente, me foi explicado o valor de tudo que é ligado ao conhecimento no Japão; o respeito àquele que ensina e que hierarquicamente está acima de seus ex-alunos seja qual for seu papel na sociedade. Não somente este, mas vários outros aspectos da cultura japonesa são expostos de uma forma muito singela... muito bela num filme que parece extremamente simples.
Eu nunca havia percebido, mas Madadayo realmente marcou a despedida de Kurosawa... foi como libertar o seu espiríto feito criança numa ultima pintura que nos faria ver que a vida só tem sentido se a vivermos completa de sentimentos e sempre com respeito.

E não... eu não cansei de viver ainda.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cães do Japão



Quando eu era criança lembro de ver o Marcelo Tas Não sei se na pele do Professor Tibúrcio ou do Telekid (aquele do Castelo Ra-Tim-Bum) repetindo várias vezes: "INU, INU" para explicar que a palavra, na verdade, significava "Cão" em japonês. "INU...INU" Foi praticamente um superbonder na minha mente. Eu nunca esqueci... mas enfim... o foco não é o Marcelo Tas, muito menos as aulas de japonês dele.

Ao que interessa:

Oficialmente são reconhecidos pela FCI, Federação Cinologica Internacional, 10 tipos de cães como raças nativas do Japão: Hokkaido, Kai, Kishu, Shikoku, Tosa, Chin, Spitz Japonês, Terrier Japonês, Shiba e Akita. Dentre eles, as duas últimas raças são extremamente importantes e valorizadas no Japão. Não me refiro puramente à questão comercial, mas histórica e culturalmente as raças Shiba e Akita possuem uma ligação muito forte com os japoneses. Todas as raças de lá são escassas fora de território nipônico o que as torna ainda mais admiráveis (fora o fato de que são muito fofas, todas elas).

O Shiba Inu (cão pequeno) é muito parecido com o Akita, mas um pouco menor. Descendente de lobos é considerado um cão de caça precioso com bom caráter, fiel e independente. O Shiba é considerado a variedade mais antiga originária do Japão e é citado nos primeiros registros japoneses como cães domesticáveis. Durante a II Guerra foram utilizados nos combates o que quase fez com que fossem extintos. Hoje são símbolo econômico e muito populares.




O Akita originalmente estava ligado à caça, mas por algum tempo chegou a ser utilizado em rinhas. Também estava ligado às figuras dos samurais como companheiros na defesa das terras.
Um ótimo cão de guarda, é muito fiel e afetuoso com os donos, mas bem desconfiado com estranhos. A lealdade do Akita, aliás, é relembrada com uma estátua erguida na estação de trem Shibuya, em Tóquio, em homenagem à Hachi-ko, um cão da raça Akita que viveu na década de 20. Ele e seu dono, o Professor Dr. Eisaburo Ueno do Departamento de Agricultura da Universidade Imperial viviam em um bairro próximo da estação de Shibuya onde Hachi-ko normalmente o acompanhava e aguardava diariamente. Após a morte de Eisaburo em 1925, o cão continuou a ir todos os dias à estação para aguardar pelo dono até que o último trem chegasse. Em 1934 quando Hachi-ko partiu, foi enterrado junto com Eisaburo e foi imortalizado pela estátua de bronze chamada Chuken Hachi-ko (Leal cão Hachi-ko) que permanece até hoje na estação de Shibuya.
Há mais histórias e marcos ligados à raça Akita e também a ligação deste cão aos desejos de saúde, felicidade e vida longa.
Mais do que representar somente a lealdade do Akita o monumento é uma singela mensagem de amor entre os cães e as pessoas. Piegas ou não, quis simplesmente que fosse um post especial...

Update:
Foi um lapso da minha parte não citar o filme Hachiko: a dog's story, com Richard Gere, baseado na história de Hachi e que tem apontado nas bilheterias japonesas. Não há previsão certa para que possamos ver o filme por aqui ainda, mas fica o trailer:




à minha Yuki e à Lilica de Tati que partiram este ano

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dansu Wo Shimasho Ka


Dansu Wo Shimasho Ka (Shall we dance?) é um filme formidável. Não há como descrevê-lo melhor do que: gracioso. Produzido em 1996 e dirigido por Masayuri Suo o filme recebeu 13 prêmios da Academia Japonesa de Cinema e inspirou o filme americano de mesmo nome com a participação de Richard Gere e Jennifer Lopez (que eu particularmente não gostei).

O original japonês nos conquista com a história do Sr. Sugiyama... um típico trabalhador japonês que lutou a vida toda pelas pequenas conquistas do dia a dia, como o casamento e a compra da casa própria, mas, seduzido pela dança, vê sua vida virar do avesso o que também transforma todo o filme e nos dá uma sensação de felicidade que não dá pra conter.
Shall we dance mostra muito da sociedade japonesa... muito de seus hábitos, de seus ideais e pensamentos. Há muitos detalhes que talvez se percam para quem não compreende muito bem a cultura japonesa como o comportamento excessivamente contido das personagens e a imensa compreensão que há daquilo que existe no silêncio entre elas. Silêncio que talvez poucos possam enxergar com tanto carisma. Indico o filme... não é difícil encontrar para download embora eu não tenha visto o filme em dvd, apenas em VHS. Fica aí a dica.