
Buriteri. Gostou?
Esta aí em cima é Buriteri, na capa da Egg Magazine, revista badalada sobre a moda gyaru. Bom... deixa eu começar isso direito. Antes de chegar na moça ai em cima temos um bom caminho pra percorrer.
Ano 2000
No final dos anos 90 e início de 2000 começou a se desenvolver uma forma alternativa de
estilo e moda entre as jovens japonesas, mas pra chegarmos lá pensemos na vertente das "kogals" dentro do grupo das gyaru (garotas que se destacavam pelo jeitinho menina e pela moda gritante). Enfim, partindo do conceito das kogals com seus cabelos descoloridos, peles artificialmente bronzeadas e plataformas exageradas, podemos afirmar e reafirmar que a ramificação que nasceu no final dos anos 90 para 2000 é bem pior: as gonguro radicalizaram e criaram um estilo que causou tamanho impacto que nada mais foi a mesma coisa depois dessa virada da moda.
Hashizando o estilo gonguro de ser
Gonguro significa "rosto negro". Este termo era usado para definir os
primórdios dessa geração de garotas extremamente morenas e quando digo extremamente, realmente o são. Se as kogals eram bronzeadas as gonguro eram torradas! O prefixo "gon" passou a ser utilizado quando os limites do bom senso foram partidos ao meio e atropelados sem piedade. Uma gonguro normalmente tem cabelos descoloridos e a pele escurecida por bases para pele negra e loções de bronzeamento (que, diga-se de passagem, bombaram nessa época no Japão). Nos lábios e em volta dos olhos era utilizado creme para pele branca além de lentes de contato azuis e botas gigantescas que completavam as cores berrantes das roupas e acessórios.

Ah... corrijam-me se estiver errada, mas ganguro e gonguro não são exatamente a mesma coisa. As ganguro foram uma consequência do boom das gonguro e estão no patamar um pouco mais normal. Não usam maquiagem tão pesada e seus cabelos são mais discretos, descoloridos, porém sem as loucuras psicodélicas das gonguro.
Bom, a partir disso já podemos localizar a nossa personagem principal do post: Buriteri.
Hashizando Buriteri
O nascimento do ramo das gonguro só pôde acontecer graças a uma moça (extremista da moda), conhecida por Buriteri. Este não é seu nome verdadeiro, o termo buriteri vem da junção de "buri" (peixe de rabo amarelo que não sei exatamente o nome) e "teri" de teriyaki que é um molho típico japonês, aliás, eu nunca descobri seu nome real e muito menos imagens dela sem os quilos de maquiagem black power já que ela nunca se apresentou sem sua carapaça desde que criou este estilo, que, diga-se de passagem, foi amplamente disseminado quando a moça foi descoberta pela revista EGG. Buriteri não só foi capa como quebrou barreiras e conceitos fashion de maneira revolucionária. Não pensem que Buriteri andava sozinha. Ela tinha mais duas amigas que desde o início acompanharam seu estilo e usavam isso como uma forma de deixar para trás inibições e personalidades reprimidas do dia a dia. Sim, Buriteri, por exemplo, não se mostrava sem maquiagem pois dizia ser muito tímida para expor seu verdadeiro rosto (ok, sei que muitos pensaram que não mostrava o rosto por ser naturalmente baranga, mas pior com maquiagem, não?). Era como vestir uma personagem depois de horas e horas passando bases para escurecer a pele e criando círculos brancos nos olhos e lábios (panda invertido?) para chamar a atenção pelas ruas de Shibuya, onde esse estilo virou febre na época.
O vírus gonguro

Com a onda dos rostos negros, as vendas de bases especiais para peles negras e tratamentos de bronzeamento artificial bombaram não apenas em Shibuya. A venda de roupas escalafobéticas e acessório exagerados e dourados também estouraram. Todas queriam se destacar e essa onda acabou se tornando tema de estudo. O sociólogo Tadahiro Kuraishi realizou uma pesquisa em Shibuya para analisar a fase de ascensão e queda desse estilo.
As gonguro se uniam mais e mais, mas isso não quer dizer que tenha sido realmente bom.
A queda...
As gonguro foram capazes de chamar tanto a atenção que as outras pessoas passaram a encará-las com espanto e repugnância e passaram a chamá-las de "Yamanba" remetendo-as ao antigo conto popular de um bruxa nojenta que vivia nas montanhas. Gonguro San Kyodai (as três irmãs de rosto negro, no caso, Buriteri e suas amigas) apesar de famosas, passaram a atrair atenção negativa demais e foram rotuladas de garotas sujas, porcas e doentes. Nenhum homem ousava se aproximar delas e isso também acarretou o encerramento das atividades da EGG, em 2000. Os salões de bronzeamento também sofreram baixas e após ataques sucessivos de hostilidade por todos os lados as San Kyodai abandonaram o movimento.
E Buriteri?
Mais tarde, depois da tormenta, jornais e revistas procuraram Buriteri e a encontraram completamente diferente do que a fez famosa... trabalhando em uma loja de roupas, Buriteri estava com a pele branca neve e disse que decidiu abandonar o visual pelo modo com que as pessoas olhavam para ela: "poderia estar sentada em algum lugar que algum adulto se aproximaria, apontaria o dedo e gritaria coisas como: 'sua barata' ou 'repugnante' ". Ela e as amigas decidiram se tornar adultas que não se importassem com o que os outros sentissem ou se parecessem o que as ajudou a se tornarem mais fortes.
Resquícios de Buriteri
Mesmo com o sumiço de sua criadora e amigas, o estilo criado por Buriteri não desapareceu
completamente, pelo contrário... vieram as Manbas, por exemplo, que eram mais coloridas e digamos que... selvagens. Preferiam sandálias ao invés das botas e eram (e ainda são) obcecadas por Para Para, a dança que mostramos aqui no blog. Essas coisas loucas aí do lado são ela, rotuladas de Manbas também por causa da bruxa repugnante.
E bom...restou para as empresas de bronzeamento apelar para campanhas mostrando as vantagens da técnica, mas acho que poucas clientes realmente acreditaram nisso já que a onda de salões de bronzeamento fechando foi bem grande.
É isso aí... a lembrança que teremos de Buriteri, no entanto, vai ser a de uma garota que quebrou barreiras e inovou. Ela será lembrada. Com certeza será, seja como repugnante, seja como revolucionária.
Esta aí em cima é Buriteri, na capa da Egg Magazine, revista badalada sobre a moda gyaru. Bom... deixa eu começar isso direito. Antes de chegar na moça ai em cima temos um bom caminho pra percorrer.
Ano 2000
No final dos anos 90 e início de 2000 começou a se desenvolver uma forma alternativa de
estilo e moda entre as jovens japonesas, mas pra chegarmos lá pensemos na vertente das "kogals" dentro do grupo das gyaru (garotas que se destacavam pelo jeitinho menina e pela moda gritante). Enfim, partindo do conceito das kogals com seus cabelos descoloridos, peles artificialmente bronzeadas e plataformas exageradas, podemos afirmar e reafirmar que a ramificação que nasceu no final dos anos 90 para 2000 é bem pior: as gonguro radicalizaram e criaram um estilo que causou tamanho impacto que nada mais foi a mesma coisa depois dessa virada da moda.Hashizando o estilo gonguro de ser
Gonguro significa "rosto negro". Este termo era usado para definir os
primórdios dessa geração de garotas extremamente morenas e quando digo extremamente, realmente o são. Se as kogals eram bronzeadas as gonguro eram torradas! O prefixo "gon" passou a ser utilizado quando os limites do bom senso foram partidos ao meio e atropelados sem piedade. Uma gonguro normalmente tem cabelos descoloridos e a pele escurecida por bases para pele negra e loções de bronzeamento (que, diga-se de passagem, bombaram nessa época no Japão). Nos lábios e em volta dos olhos era utilizado creme para pele branca além de lentes de contato azuis e botas gigantescas que completavam as cores berrantes das roupas e acessórios.
Ah... corrijam-me se estiver errada, mas ganguro e gonguro não são exatamente a mesma coisa. As ganguro foram uma consequência do boom das gonguro e estão no patamar um pouco mais normal. Não usam maquiagem tão pesada e seus cabelos são mais discretos, descoloridos, porém sem as loucuras psicodélicas das gonguro.
Bom, a partir disso já podemos localizar a nossa personagem principal do post: Buriteri.
Hashizando Buriteri
O nascimento do ramo das gonguro só pôde acontecer graças a uma moça (extremista da moda), conhecida por Buriteri. Este não é seu nome verdadeiro, o termo buriteri vem da junção de "buri" (peixe de rabo amarelo que não sei exatamente o nome) e "teri" de teriyaki que é um molho típico japonês, aliás, eu nunca descobri seu nome real e muito menos imagens dela sem os quilos de maquiagem black power já que ela nunca se apresentou sem sua carapaça desde que criou este estilo, que, diga-se de passagem, foi amplamente disseminado quando a moça foi descoberta pela revista EGG. Buriteri não só foi capa como quebrou barreiras e conceitos fashion de maneira revolucionária. Não pensem que Buriteri andava sozinha. Ela tinha mais duas amigas que desde o início acompanharam seu estilo e usavam isso como uma forma de deixar para trás inibições e personalidades reprimidas do dia a dia. Sim, Buriteri, por exemplo, não se mostrava sem maquiagem pois dizia ser muito tímida para expor seu verdadeiro rosto (ok, sei que muitos pensaram que não mostrava o rosto por ser naturalmente baranga, mas pior com maquiagem, não?). Era como vestir uma personagem depois de horas e horas passando bases para escurecer a pele e criando círculos brancos nos olhos e lábios (panda invertido?) para chamar a atenção pelas ruas de Shibuya, onde esse estilo virou febre na época.O vírus gonguro

Com a onda dos rostos negros, as vendas de bases especiais para peles negras e tratamentos de bronzeamento artificial bombaram não apenas em Shibuya. A venda de roupas escalafobéticas e acessório exagerados e dourados também estouraram. Todas queriam se destacar e essa onda acabou se tornando tema de estudo. O sociólogo Tadahiro Kuraishi realizou uma pesquisa em Shibuya para analisar a fase de ascensão e queda desse estilo.
As gonguro se uniam mais e mais, mas isso não quer dizer que tenha sido realmente bom.
A queda...
As gonguro foram capazes de chamar tanto a atenção que as outras pessoas passaram a encará-las com espanto e repugnância e passaram a chamá-las de "Yamanba" remetendo-as ao antigo conto popular de um bruxa nojenta que vivia nas montanhas. Gonguro San Kyodai (as três irmãs de rosto negro, no caso, Buriteri e suas amigas) apesar de famosas, passaram a atrair atenção negativa demais e foram rotuladas de garotas sujas, porcas e doentes. Nenhum homem ousava se aproximar delas e isso também acarretou o encerramento das atividades da EGG, em 2000. Os salões de bronzeamento também sofreram baixas e após ataques sucessivos de hostilidade por todos os lados as San Kyodai abandonaram o movimento.
E Buriteri?
Mais tarde, depois da tormenta, jornais e revistas procuraram Buriteri e a encontraram completamente diferente do que a fez famosa... trabalhando em uma loja de roupas, Buriteri estava com a pele branca neve e disse que decidiu abandonar o visual pelo modo com que as pessoas olhavam para ela: "poderia estar sentada em algum lugar que algum adulto se aproximaria, apontaria o dedo e gritaria coisas como: 'sua barata' ou 'repugnante' ". Ela e as amigas decidiram se tornar adultas que não se importassem com o que os outros sentissem ou se parecessem o que as ajudou a se tornarem mais fortes.
Resquícios de Buriteri
Mesmo com o sumiço de sua criadora e amigas, o estilo criado por Buriteri não desapareceu
completamente, pelo contrário... vieram as Manbas, por exemplo, que eram mais coloridas e digamos que... selvagens. Preferiam sandálias ao invés das botas e eram (e ainda são) obcecadas por Para Para, a dança que mostramos aqui no blog. Essas coisas loucas aí do lado são ela, rotuladas de Manbas também por causa da bruxa repugnante.E bom...restou para as empresas de bronzeamento apelar para campanhas mostrando as vantagens da técnica, mas acho que poucas clientes realmente acreditaram nisso já que a onda de salões de bronzeamento fechando foi bem grande.
É isso aí... a lembrança que teremos de Buriteri, no entanto, vai ser a de uma garota que quebrou barreiras e inovou. Ela será lembrada. Com certeza será, seja como repugnante, seja como revolucionária.

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